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sábado, 9 de outubro de 2010

ou: ainda só não chegou a hora do fim

acho que nunca foi tão difícil encontrar um final para um texto como desse que tenho que terminar. 

primeiro porque a experiência de escrevê-lo é prazerosa (de como me sinto uma calha, secretária do invisível) e difícil. mas consegui o ritmo dele, por conta de que (imagino) 90% do que escrevo é diário. então simular um diário é uma coisa que já treinei bastante sem simulação. cada vez mais acredito na repetição da calma atenção nas coisas. de que a técnica nasce-vive disso.

agora: o que faz difícil mesmo de terminar o texto que é um túnel é: como sair dele? aliás: o sem-ser que é o personagem dele, como é que ele vai terminar? porque se o túnel é uma metáfora do dentro, do isolamento, como não terminá-lo nem aniquilado pelo encerramento nem com a esperança do mundo de salvação, do  fora? aguardem-me.  também ainda não sei.

domingo, 5 de setembro de 2010

nosso tempo

em dois tomos:

I.

de como sou contra, efetivamente contrária ao reinado das citações. se criassemos mais do que citamos, ou: a importância de fazer da citação parte do próprio corpo da criação. como na digestão, tudo que comemos vira corpo.

a sensação de que o que queremos dizer já foi dito é um vírus do contemporâneo. acho que a citação tende, muitas vezes, por nos distanciar do que queremos nos aproximar. sou contra o respeito que vira imobilidade. às vezes me sinto num velório, e os antepassados polícia, e não fogo de continuidade. das maneiras necessárias, sou a favor.

II.

a intimidade: tempo nosso: quando entramos em casa descobrimos os nossos amigos. se antes sair de casa e voltar era deixar a rua para trás, com a internet, ao voltarmos para casa descobrimos outra rua, e os nossos amigos que por ela passaram, e como nós queremos também passar, de onda, olé, detetives ou informantes. com relação a isso, é tanta gente que se importa na maledicência, que não tenho nenhuma vontade de me indispor.



: : : :


domingo, 1 de fevereiro de 2009

carta aberta - 12 exemplares

trechos de um email para cada um dos 12 no dia 24.1.9:

"Não são todos vocês que sabem, mas a Ilana, o Marcos Visnadi, a Clarisse e o Alfredo só receberam o Cantos de Estima nessas últimas duas semanas. Fui um atraso que só, me desculpem. Com isso a data final para o recebimento de todos os trabalhos/estimas/críticas será uma segunda-feira, dia 6 de abril, dia que, segundo a wikipedia, inventaram o lápis na Inglaterra. 6 de abril está bom pra todo mundo? E, adendo pra quem está do lado daí do Atlântico, sim, o redor a essa data é quando espero receber materialmente em mãos. O correio me encanta. E tanto também os olhos-nos-olhos de quem prefirir me entregar em presença.

Aproveito também para contar os caminhos que vão tomando o projeto. Continuo em sua idéia nuclear, de que se tratam de relações em níveis íntimos, na enorme miudez de alguém que resolve desenhar em cima do livro que ganhou de presente, ou que rascunha uma nota nas fichas pessoais, ou que tira uma foto que se lembra daquilo, ou que anda por aí a ser fantasmado por um verso. Mas, como diz o Drummond "me exponho cruamente nas livrarias/ preciso de todos" e eu pra fazer preciso existir e para existir preciso mostrar. E como diz a Ana Cristina Cesar " não sou mais severa e ríspida/ agora sou profissional".

Alguns de vocês já sabem, mas nem todos. Os planos são: montar uma mostra 12 exemplares itinerante e, depois, ao término da itinerância, fazer um livro (e/ou um site) em que se mostre tudo que foi feito, e no qual pretendo escrever sobre os processos e ligações entre,... nem sei!, isso é pra mais tarde.

[...]

Agora, imagino que muitos vão trabalhar com imagens, filmes, sons, outros com textos e outros com-nem-sei. Haverá forma de mostrar a tudo. Tudo. Por favor, reitero, façam com a liberdade de cada um. Agora, em primeiro lugar, lembrem-se, tenham em mente que é ao meu corpo que se devolvem os exemplares, não a nenhuma exposição, mostra pública, livro, outdoor ou qualquer coisa do tipo. E, ah!, crise todo mundo tem. Todo bom projeto, inclui em seu risco, muito fracasso. Façam, me entreguem, deixem que eu me viro com o que vocês me devolverem.

[...]

Por agora, penso que é isso. Que venham as respostas,

[...]

ps, Curioso é que temos um anexo, o Flavio, grande músico, que não foi explicitamente convidado pra todo esse 12 exemplares, um dia veio aqui e pegou um dos livros-piloto que fiz, que não ia ser pra ninguém, e levou pra casa. Com isso, ele já compôs duas músicas, uma com "eu sou o rio dos mortos" e outra com o "desta amurada". Pra segunda, cabe informar, que ele fez um samba. Ao que eu fiquei numa felicidade. Vamos colocar esse acaso no meio, sim, sem mudar o nome do projeto, nem o número de exemplares, contando que música se propaga pelo ar e logo que eu tiver dele os mp3 como ele me prometeu, envio pra quem for de enviar,"

 

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