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segunda-feira, 18 de abril de 2011

(eu entendo, antonin meu bem, que você já foi de muita gente, é meu também).

sinceramente
a gente se publica rápido demais
enquanto época mesmo, geração.
isto está produzindo outra relação com a leitura e o apagamento dela. e também com o processo. essa efetividade toda é uma bobagem. artaud dizia que só queria escrever depois que tivesse esgotado o pensar, como se o ventre vazio parisse, algo assim. mas grande dito seja artaud por todas as eras da humanidade, ele tinha um vigor inato para dizer.

hoje eu andava pelo rossio e pensava com três livros dele numa sacola 
C O M O A L G U É M P O D E T E R D I TO I S T O P A R A O M U N D O?
algo tão secreto, tão cheio de sua própria matéria. 

isto se vocês me permitem o relato de uma pessoa que leu artaud na semana passada. pela primeira vez. e descobriu a origem. 

como se eu rondasse há anos uma tradição, digo, era uma casa. a casinfância absoluta.

agora sei que o jeito de me entregar é me defendendo. como aquele lance de que radical é raiz. ou seja: que ele me cavalga, me navega, me revigora isto tudo é já claro explícito isto já vinha de antes. e quero tanto que ele me influencie que sei que isto só pode acontecer se eu resistir à qualquer influência. 

é como um fim de um amor. daqueles namoros que quando acabam na mesma medida que dói dói você se sente livre livre. tinha que ser e nada te quebrará ao meio, afinal você já está no que se rachou, na separação.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

I now, it's over

tenho algum medo de voltar a europa, sabes, xxxx, medo de me tornar as coisas de pedra. essa cidade aqui é puro delírio e fuligem, mas no entanto o mato cresce como se gritasse, ainda mais esse ano que choveu tanto (viu os mortos no rio de janeiro?, é, um horror). mas as árvores se comoveram, estão estufadas. e o mato cresceu dois metros, nas beiras das estradas. talvez se arrumassem vacas elas cortassem melhor o pasto do que a prefeitura de são paulo.

desculpe-me que às vezes te escrevo tão literariamente como se ainda se trocassem cartas e não esses imediatos de emails. julgo às vezes ser desnecessariamente intensa ou só mesmo excessiva sabendo que você não tem tempo, que ninguém nesse mundo tem tempo e que eu só tenho tempo porque sou uma espécie de parasita do tempo livre.

creio que acabou também em mim o tempo de ceifar o silêncio. é impressionante como a vida muda e às vezes só uns choques (transatlânticos) nos fazem perceber. só em sp percebi que vivo em lx. só em lx perceberei que vim até sp.

ou, melhor: o texto: pensa comigo: o freud inventou o inconsciente e um século inteiro ficou fraturado dele. mostrando isso que acontece entre o que é visível e o que vê, que é o que é pensamento, memória. a literatura tratou disso e não só. sei falar de narrrativas. por exemplo, aquele filme lindo que você gosta, o "morangos silvestres", o encontro com as frutinhas que desenlaçam a lembrança do que ele foi, do que ele se tornou UM MURO para o qual já não há mais tempo. ele encontra alguma ternura. ou o proust, a madeleine no chá de tília, e nove romances de travessia. eu quero escrever como uma flor no momento que eclode, do casulo à borboleta, a memória como um ovo estatelado. o que quer dizer: sou escritora e: não estou mais fascinada pela memória. ela é uma faculdade como a respiração. e a vida?


também quero encontrar a nudez. porque no !cantos de estima" estive atrás da infância como um procedimento. uma infância como diversão perante ao delírio do mundo. por isso a ordem dos planetas. mas agora acho que cresci. a criança já vive em mim. a criança que fui, que serei, que terei. feito um abacate. acho que fica bonito na minha idade a idéia da nudez. de um corpo feminino mesmo. ou a nudez da palavra. da palavra como um corpo feminino, fértil. brotar, apresentar a palavra como um ovo frito estatelado.

estou aberta para o esquecimento

sábado, 7 de março de 2009

CIDADE

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.



Sophia de Mello Breyner Andresen

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

o insípido e o sabor

pois, mas

arte tem que ter um pouco do que nisso falta, né,
de ser um absurdo que dá certo,

(o risco, o riso, a razão)

lá embaixo vou te mostrar um trecho que me fez lembrar dessa história da bienal, que eu concordo com você em milhão. esses curadores (precisariamos de uma terceira palavra para nomeá-los sem demérito de outros) comerciais são produtores financeiros que estão a não viver a arte. mas concordo só se não for pra pensar também e imediatamente: "são uns asnos", o que sem dúvida me parecem, porque se cortam afeto e inteligência da apreciação de um resultado final artístico, pô, pra que fazer? e você acha mesmo que é só uma questão de vaidade e dinheiro desses caras? será que não os desculpamos demais? concordo que há sempre alguma coisa boa aqui ou lá nessas exposições e tudo o mais. mas se contentar antes de ter comido não parece uma violência com o próprio estômago? falo assim, com força, mas sei que você não estaria nunca sendo condescendente com eles. porque não podemos ser. por que não podemos ser?

atualmente (desde ontem conversando com o breno) me parece que se alguém, um artista com intenção, faz alguma coisa com atenção devida e que não passe perto dos discursos/formas da publicidade, da propaganda, a chance de ser bom, fica grande. não digo que se pintassem uma lata de campbell's de novo não seria bom. digo do discurso subliminar que a publicidade usa, seja em formas confortáveis ou imperativas. isso (em arte) me parece sujo. se foi feito dentro de uma concentração que se animou a ser outra coisa e está fora de querer te vender ou comprar, a gente vê com os olhos bons, quer entender. a gente está querendo estar vivo, não está? mas ao mesmo tempo, estamos tão entretecidos (entristecidos ou entretidos também) uns nos outros (toda a falta de tempo e espaço prum, por exemplo, silêncio) que é: 1. muito difícil marcar uma diferença no fazer; 2. é muito necessário marcar separações entre as coisas. afinal, me parece que também a falta de limitação (que é um puta dum limite) exige que sejamos menos condescendentes. acho que precisamos voltar ao risco como um critério que não está dado a priori, risco que não está amalgamado em toda espécie de fazer e que deveria estar em tudo que é arte.

ok, mas daí talvez eu esteja de novo a voltar e a voltar e avançar para a questão do "novo". mas oras, estamos no início do século XXI (algo me constrange ao escrever em que século estamos), poderíamos pensar de modo diferente?


agora me lembrei de que o trecho que ia citar é o final de um texto do Leo Steinberg:

"A arte moderna sempre se projeta numa zona de penumbra onde nenhum valor está fixado. Ela nasce sempre na ansiedade, pelo menos desde Cézanne. Picasso disse certa vez que o que mais nos importa em Cézanne, mais do que suas pinturas, é sua ansiedade. Parece-me uma função da arte moderna transmitir essa ansiedade ao espectador, de modo que seu embate com a obra seja -pelo menos enquanto ela é nova- um problema existencial genuíno. Como o Deus de Kierkegaard, a obra nos molesta com sua absurdidade agressiva, assim como Jasper Johns quando se apresentou a mim vários anos atrás. Ela requer uma decisão na qual descobrimos algo de nossa própria qualidade; e essa decisão é sempre um "salto da fé", para usar o termo famoso de Kierkegaard. Como o Deus de Kierkegaard, que pede um sacrifício a Abraão, violando todos os padrões morais, o quadro parece arbitrário, cruel, irracional, exigindo nossa fé, ao mesmo tempo que não faz nenhuma promessa de recompensa futura. Em outras palavras, é da natureza da arte contemporânea original apresentar-se como um risco de graves conseqüências. E nós, o público, incluindo os artistas, deveríamos ter orgulho de viver esse problema, porque nada mais nos pareceria muito fiel à realidade; e a arte, afinal, supõe-se que seja um espelho da vida.

Eu estava lendo o Êxodo, capítulo l6, que descreve a queda do maná no deserto, e considerei que o trecho vinha a calhar:

Quando se evaporou a camada de orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, granulosa, fina como a geada sobre a terra. Tendo visto isso, os israelitas disseram entre si: 'Que é isso?'. Pois não sabiam o que era. Disse-lhe Moisés: 'Isso éopão que Iahweh vos deu para vosso alimento. [...] Cada um colha dele quanto baste para comer, um gomor por pessoa [...]'

E os israelitas assim o fizeram; e apanharam, uns mais, outros menos. Quando mediram um gomor, nem aquele que tinha juntado mais tinha maior quantidade, nem aquele que tinha colhido menos encontrou menos: cada um tinha recolhido o quanto podia comer.

Moisés disse-lhes: 'Ninguém guarde para a manhã seguinte'. Mas eles não deram ouvidos a Moisés, e alguns guardaram para o dia seguinte; porém deu vermes e cheirava mal. [...]


A casa de Israel deu-lhe o nome de mantá. Era [...] [de] sabor como bolo de mel.
Disse Moisés: 'Eis o que Iahweh ordenou: Dele enchereis um gomor e o guardareis para as vossas gerações, para que vejam opão com que vos alimentei no deserto. [...] Arão o colocou diante do Testemunhopara ser conservado.

Depois de ler essa passagem, parei e pensei como o maná era parecido com a arte contemporânea; não apenas por ser um enviado de Deus [Iahweh], ou por ser um alimento do deserto, ou por ninguém conseguir compreendê-lo bem - pois 'não sabiam o que era'. Nem mesmo porque uma parte dele foi imediatamente posta num museu - e o guardareis para as vossas gerações"; tampouco porque o seu gosto permaneceu um mistério, uma vez que a frase aqui traduzida como 'sabor como bolo de mel', é na realidade uma suposição; essa palavra hebraica não ocorre em nenhum outro lugar na literatura antiga e ninguém sabe o que ela realmente significa. Daí a lenda de que o maná tinha o sabor que cada um desejava; embora viesse de fora, seu sabor na boca era invenção de quem o provasse.

Mas o que decidiu a analogia com a arte moderna, para mim, foi esta Ordem: colher do maná todos os dias, de acordo com o que for comer, e não para conservá-lo como uma garantia ou investimento para o futuro, fazendo da colheita de cada dia um ato de fé."

["A arte contemporânea e a situação de seu publico", trad. Célia Euvaldo, NY, primavera de 1960.]

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o novo fica novo até que fique velho.

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um beijo,


ps. a questão de ter um "projeto estético/ existencial/ crítico" ou não, fica pra depois ou fica para sempre.
ps. do ps. ganhei o dia! tão cedo e até já citei a Bíblia!
ps. do ps. do ps. meu cunhado francês ao ler no jornal a palavra "curador" pensou que viesse de "curandeiro"!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ter é tardar

Tudo começou quando, perto do pedágio, em resposta ao meu dizer "mas se você deixa pra depois, é porque confia na memória" e o Arturo me disse confiar é na transformação. E uns dias depois, o Marcos, na universidade, me reiterou na necessidade da unidade.

Dentro da transformação, encontrar uma unidade. Não promovê-la, nunca. Achá-la como um espectador encontra pontos de encontro entre o que ele carrega e o que lhe é apresentado. Uma unidade inegável.

Digo isso: hoje notei que às vezes escrevo um texto que me parece totalmente fora do encontro com um outro, sei lá, escrito ontem. Olho os dois e penso: não é possível, estou perdendo algo entre eles, algo que não vi passar, algo que continua sendo sentido e onde não posso tocar. Nunca saberei. Começo a me comentar: preciso voltar a lançar continuidades como fios e tênues mesmo, para adiante e para trás. Organizar o Álvaro de Campos para o definitivo. Fico aflita atrás disso. Mas quando esqueço ou me acalmo de tanto correr encontro que o texto de hoje, tem sim uma unidade, com um texto, sei lá, de três anos atrás. Vejo que estava escrevendo o mesmo texto a cada dia em silêncio. Preciso ter calma, desacreditar na exaustão. Mas o tempo me entorpece como um pirata bêbado que amanhece afogado.

Ou, por exemplo: desde que voltei estou tentando terminar um conto que comecei antes de viajar. Está bem pela metade. É uma história simples, de amor. Eu já tenho toda a estrutura dela mentalmente traçada e tenho até a cor verde de certas cenas noturnas, mas não consigo concatenar uma imagem na outra em texto. Daí estou na rua e vejo uma mulher cortando cebolas. Penso assim: "vou colocar uma mulher parecida com a Clarice L. a cortar uma cebola no pavilhão do hotel antes dela sair pra jantar com a Flora". Sento-me em frente ao texto e não consigo. Não consigo. Nem três linhas. Três dias depois, sofrida, enfim me liberto e coloco aquela imagem em outro texto: o do cachorro: por exemplo:

desconfio que é ele quem rói
cebolas pela casa gota a gota
e de manhã a camareira do seu
hotel limpo com o pano gasto


por um tempo, isso assim me satisfaz.

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Acho maravilhoso, embora, esse problema de fazer crítica e literatura ao mesmo tempo é o lance elástico de achar fácil de cada lado da rua estratégias de ação. Uma coisa diz a outra, são reflexos de outras, e logo ficam encarceradas, acimentadas, gradeadas não!, arrebento. Quem bem me conhece sabe que tenho a fase do descrer, a desflor.

Afinal, se ler o tempo todo, interpretar-se e agir ou escrever daquele jeito que esperam é procurar dar estações de rádio que alguém sintoniza e pá: música de elevador.

Estou pelo acidental? Se alguém visse como sempre escrevo em linha reta acreditaria na minha necessidade de derrubar estantes. Estou que só os ossos comunicam.

Adeus.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Herberto Helder

III

Todas as coisas são mesa para os pensamentos
onde faço minha vida de paz
num peso íntimo de alegria como um existir de mão
fechada puramente sobre o ombro.
- Junto a coisas magnânimas de água
e espíritos,
a casa e achas de manso consumindo-se,
ervas e barcos altos - meus pensamentos criam-se
com um outrora lento, um sabor
de terra velha e pão diurno.

E em cada minuto a criatura
feliz do amor, a nua criatura
da minha história de desejo,
inteiramente se abre em mim como um tempo,
uma pedra simples,
ou um nascer de bichos num lugar de maio.

Ela explica tudo, e o vir para mim -
como se levantam paredes brancas
ou se dão festas nos dedos espantados das crianças
-é a vida ser redonda
com seus ritmos sobressaltados e antigos.

Tudo é trigo que se coma e ela
é o trigo das coisas,
o último sentido do que acontece pelos dias adentro.

Espero cada momento seu
como se espera o rebentar das amoras
e a suave loucura das uvas sobre o mundo.
-E o resto é uma altura oculta,
um leite e uma vontade de cantar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

ch-ch-changes

quando tudo se consolida e de um lado alguém acredita: cheguei, ela é minha, estou. de outro já se anunciava rompendo: noite dia dia noite, um coração. não creia na exatidão do que te dizem. as palavras não residem. acreditar no contrário é coisa de soberano. soberano é o abismo.

a palavra é um lugar vazio
o mundo não faz sentido
da fogueira de são joão
aos dilúvios ao amor

quem procura exatidão acaba encontrando ruínas, nunca duração.
vai-e-vem mecânico ao qual digo: não.
a palavra, no entanto, tem maior aderência que muita coisa
sorriso inseto inseguro.

para escrever, um ano ou três atrás escrevi:
é preciso mais do que perder a si mesma (para ganhar-se no fim):
é preciso perder a própria escrita.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ana c.

Desisti provisoriamente de qualquer decisão mais brusca.
A única coisa que me interessa no momento é a lenta cumplicidade da correspondência. Leio para mim as cartas que vou mandar: "Perdoe a retórica. Bobagem para disfarçar carinho."

sábado, 8 de novembro de 2008

pausa

Ontem, parafrasei aqui: não existe covardia maior do que se jogar na frente de todos os seus inimigos.

Agora me ficou claro que enquanto tomávamos cerveja de trigo circundávamos situações bélicas, mas falávamos de outra forma de luta. Não a guerra de um estado contra um estado ou nem mesmo exatamente uma disputa entre um homem contra outro homem. Não, como sempre a nossa questão era a respeito de como viver com nós mesmos, em como sermos um outro em nós, através de uma ética, e por isso discutíamos o que se pode fazer com o desejo e seus derivados, prazer e dor. Acho que negá-los ou cegá-los sempre pareceu uma bobagem. Realmente, o desejo é uma coisa maravilhosa. Mas falávamos sobretudo de procurar a chave do intervalo, da necessidade da pausa, da convivência e só. De se recolher em frente à algo que é de si mesmo até encontrar ninguém.

Si
tua
ção
que
nos é negada sumariamente.

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Todo esse papo do indíviduo deu no saco. O indivíduo é uma realidade que caminha.

Eu, por mim, continuo dependendo de Drummond: Não, meu coração não é maior que o mundo/.../ preciso de todos.

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Dar uma festa silenciosa.

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Escuta a água nos vidros,
tão calma. Não anuncia nada.

(Drummond, Mundo Grande)

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Refugiamo-nos no amor. E ele se muda, ele nos deixa de manhã cedo na cama e leva junto seus cem nomes. Nos ocupamos no trabalho. E ele é insuficiente e exaustivo. Drummond: "Convive com teus poemas, antes de escrevê-los." Ao que estendo: convive com teu ódio, antes de odiá-lo. Há uma presença sem a presença. Há de convivê-la. Convive com teu amor, enquanto amas. Há tempo para ambos, há tempo para os dois. Haverá tempo de nos vermos, de nos estarmos, de nos deixarmos.

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